segunda-feira, novembro 21, 2005

Fim de Semana / Curso de Relações Humanas




Mais do que um curso, alias uma sensibilização, foi uma lição de vida!

Pensamento retido
: "Em tempo de desolação não se fazem mudanças"




Fica aqui uma pequena citação de algumas das coisas:

"Canalização dos sentimentos

1. A fonte principal de dificuldades no relacionamento interpessoal está nos sentimentos próprios e alheios. O que separa ou aproxima as pessoas não são as ideias, as opções politicas ou os credos religiosos diferentes...

2. No relaciomento com os outros é um facto que muitas vezes, infelizmente, tentamos prescindir ou negar os próprios sentimentos e não prestar atenção aos sentimentos dos outros. Contudo, todos experimentamos continuamente diferentes sentimentos...

3. Manifestamos mais facilmente uns sentimentos que outros. Depende do sentimento, da pessoa e do tempo em que surge. Por exemplo, não é muito difícil falar dos sentimentos que se teve para com uma pessoa no passado; exprimir sentimentos do presente a uma terceira pessoa é um pouco mais difícil; mais difícil ainda é dos sentimentos do passado sobre uma pessoa que temos em frente; porém, o mais difícil é manifestar os sentimentos do momento à própria pessoa que está diante de nós.

Daqui se pode concluir: é mais fácil falar dos sentimentos do passado ou do presente com uma terceira pessoa do que com aquela que se está directamente ligada a esses sentimentos; ou ainda, que os sentimentos do presente se exprimem mais dificilmente que os do passado.


4. Uns sentimentos são mais difíceis de aceitar e de manifestar que outros. É-nos mais difícil, por exemplo, manifestar que sentimos inveja do que manifestar que temos coragem. A atenção pode ou não fixar-se num sentimento concreto, porque é selectiva, também no que diz respeito aos sentimentos. É possível ainda aprender a ignorá-los e fixar a atenção noutra coisa.

5. Por exemplo: no escritório, o chefe não está satisfeito com o meu trabalho, e por esta razão sinto-me inferiorizado, incompetente, ofendido. Como isto é desagradável, não ligo aos meus sentimentos, coloco a atenção no meu chefe e penso (ou talvez até digo: 'é injusto, insensível, uma besta...'. Fixo a atenção na realidade exterior, (no chefe), ignoro a interior (as próprias emoções), deixo-a de lado, não lhe presto atenção, chego a reprimi-la, racionalizo.

6. Esta é a maneira clássica de adquirir o controle emocional. Esquecer as emoções, ou reprimi-las, não é caminho para as controlar e para se controlar. Passamos a ser dominados por aquilo que se quer ignorar. No exemplo proposto em (5), os sentimentos que tenho para com o meu chefe, (e que trato de esquecer), vão continuar a influir no meu comportamento, mesmo que eu não caia na conta dessa influência..."

7. 'Controlar' os sentimentos ou 'canaliza-los' não é ignorá-los ou esquecê-los, nem 'reprimir-los'. Nesta matéria, o primeiro grau de dificuldade aparece ao tentar manifestar os sentimentos, o segundo ao desejar admiti-los no campo da consciência, o terceiro ao desencadear o mecanismo psicológico defensivo, (mas incosciente), de repressão.

8. É preciso deixar os sentimentos no campo da atenção para ajuizar de um modo correcto sobre uma determinada situação, sobreo que é ou não "perigoso" para a pessoa que os experimenta. Os sentimentos são uma fonte de informação sobre a relação com o mundo que nos rodeia. Sem essa informação, metemo-nos no beco sem saída de querer resolver o problema dos nossos relacionamentos interpessoais sem ter os dados na mão.

9. Os sentimentos podem aflorar por manifestação directa: mudanças fisiológicas (como, por exemplo, corar de vergonha), por palavras, (como através da expressão 'cala-te estúpido'), ou por gestos, (nomeadamente um beijo, uma bofetada).

10. Mas os sentimentos também podem procurar a via indirecta de expressão, geralmente sob a forma de juízo moral ou de valor. O objecto da minha atenção passa a ser a pessoa do outro edeixo de ligar aos meus sentimentos. Por exemplo, em vez de dizer que me sinto mal por teres vindo para a mesa com as mãos por lavar, digo que és a criança mais porca cá do bairro...

11. Psicologicamente o ideal seria a expressão directa dos sentimentos. E a expressão directa manifesta duas coisas: que sou eu a pessoa que está envolvida neste caso concreto e que o sentimento está em mim. Por exemplo: 'tenho coragem'. Sou eu que tenho coragem e não disse nada de ti. Contudo, continua a dificuldade: não é fácil exprimir os próprios sentimentos...

12. E esta dificuldade aumenta, quando os sentimentos se acumulam e se articulam em cadeia. Por exemplo, sinto-me inferiorizado porque fiz mal um trabalho; sinto-me aborrecido comigo mesmo por me sentir inferiorizado; sinto-me perturbado por me sentir aborrecido; sinto-me deprimido por tudo isto... Na cadeia de sentimentos, não sabemos muitas vezes qualé o sentimento directo que provém do acontecimento. E é conveniente sabê-lo, para aprender a canalizar harmoniosamente os sentimentos.

13. Pode acontecer também que vários sentimentos se encontrem ao mesmo tempo. Por exemplo: uma pessoa de quem eu gosto e que ao mesmo tempo me fere com o que está a dizer ou com o que acaba de fazer. Será que estou ofendido? Mas essa pessoa é-me simpática! Resultado: não digo nada directamente, dou a entender indirectamente que não gostei e isto pode e costuma ser desconcertante para a outra pessoa...

14. Há sentimentos que se reprimem devido à conotação moralista, (ou pecaminosa), que lhe atribuimos: ciúmes, inveja, sexualidade, hostilidade...

15. Em resumo: é natural ter sentimentos e é preciso aceitá-los, sejam eles quais forem: solidão, alegria, tristeza, amor, inveja, angústia, ansiedade.. e isto é próprio do ser humano. É preciso edificar, mas sobre a realidade. Os sentimentos não são bons nem maus. E isto émuito importante frisá-lo! Os sentimentos são um sinal! O bem ou mal moral só aparece naquilo que passa ou depende da própria liberdade...

16. Em relação a outras pessoas, podemos distinguir sentimentos de consonância, (sintonia), e de dissonância, (aversão). A experiência de consonância indica segurança e liberdade em relação a uma pessoa, é sinal de que posso mudar de opinião, de que não preciso de me defender. Os sentimentos de dissonância são sinal de que algo anda mal no relacionamento com essa pessoa, de que é preciso esclarecer alguma coisa da minha parte, são um sinal de insegurança e falta de liberdade, de que preciso de me defender ou usar máscara. Se o não fizer, as consequências serão desagradáveis...

17. No relacionamento interpessoal, é imprescindível prestar atenção aos sentimentos dos outros, sobretudo quando são expressos demaneira indirecta. No momento oportuno, se possível e desejável, é conveniente aprender a exprimir os sentimentos de um modo directo, o que supõe sempre um investimento arriscado, mas que constitui o preço de uma ligação mais nítida e compreensiva, mais verdadeira e mais pessoal...

18. No relacionamento interpessoal, a linguagem mais importante é a que se emite através dos sentimentos. É precisamente este plano que ignoramos com frequência..."

Texto de Federico Arvesú sj e Aberto Brito sj


Ps: Obrigado, sim a ti...

3 comentários:

borboleta disse...

=)
aprendeste muito bem!
o fim-de-semana foi mesmo muito especial!o curso valeu mesmo a pena e deixou muita vontade de fazer o II...
quanto à parte de manifestar os sentimentos acho que é uma aprendizagem constante, um ir ultrapassando barreiras...=)

NeTeInStEiN disse...

Sim é verdade, aprendi mto.. :-)

É uma grande dificuldade minha, mas que encaro como um grande desafio e aprendizagem..

Anónimo disse...

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