segunda-feira, dezembro 05, 2005

After-Xav



Pensamento retido: "As perguntas que não temos, têm resposta no silêncio que não fazemos."


Depois do primeiro After-Xav à 2 anos as expectativas presumiam-se altas para este segundo, assim sendo quando comecei os ensaios na introdução estava algo agitado... digamos que também não era para menos, os ensaios não estavam a correr exactamente bem.. mas pronto, depois de cavar à volta de uma tenda de circo os ensaios começam a ser algo a que ligamos menos...

Mas voltando ao assunto, comemorar os 500 anos do nascimento de Francisco Xavier entre amigos acho que foi uma das minhas apostas melhor ganhas dos últimos tempos!

A abertura, majestosa e surpreendente, até cavalos houve, os momentos de oração/consagração, o convivio, os brutalmente espectaculares powerpoints, as reflexões, os workshops (acho que não os podia ter escolhido melhor..), a vigília e a experiência de missão (que ainda agora acho que não consegui "digerir" totalmente).. e por fim a despedida em grande!

Ficam aqui algumas das coisas que foram ficando pela minha cabeça...







...Sábado - Workshops...



--> Workshop Missa de A-Z:

Este workshop foi uma missa explicada e seca, (ou seja não foi dada por um padre como uma missa "real", mas foi dada por um leigo exemplificando para explicar os vários aspectos.



--> Workshop de Relações (Namoro/Casamento...)

Resumindo algumas das coisas que me ficaram em alguns tópicos simples..

- Uma relação não é só rosas.

- O mais importante numa relação, para além de gostar da outra pessoa é falar.

- O que fica depois da paixão é a amizade e companheirismo.

- Não devemos tentar modificar a outra pessoa à força, devemos tentar aceita-la.

- Devemos ter espaços comuns mas também espaços privados... Não devemos obrigar a outra pessoa a fazer o que não gosta, no sentido de ir ao futebol connosco não gostando, sendo que nós adoramos... devemos dar liberdade de opção sempre.

- Devemos no entanto tentar ter actividades "fora de casa" comuns, praticar um desporto em conjunto, ser duma direcção de campos de férias, etc..

- Parar um bocadinho uma vez por mês para falar, um pouco o "ponto da relação" e como cada uma das pessoas está.

- Não vale a pena juntarmo-nos a uma pessoa, ir viver para uma casa comum se é "só para tentar", porque uma relação é feita de dificuldades e assim à primeira iremos abandonar a relação.

- Não casamos só com outra pessoa, casamos com a familia da outra pessoa também, por isso é importante conhece-la.

- A relação física é a certo ponto o evoluir da relação, e a certa altura um casal poderá sentir a necessidade de dar esse passo, estando ou não casado, sendo no entanto isto feito com consciência que tem um objectivo, o objectivo de tornar a relação mais forte, em direcção ao futuro.

- Quando tivermos uma discussão, que iremos ter, devemos falar, dar o "feedback" do que nós pensamos, passando um pouco a expressão: "só não falarmos quando a outra pessoa está a falar".




--> Sucesso e Humildade

Neste workshop durante a conversa foi nascendo em mim uma questão: "É-se feliz por ter sucesso ou tem-se sucesso por se ser feliz?"...

- Ser humilde não é ser "pequeno" é ser sincero.

- O conceito de sucesso é bastante subjectivo, o nosso próprio conceito de sucesso deve ser uma coisa que nós conduza à felicidade muito mais do que ao reconhecimento público.

- O sucesso em geral é considerado como uma medida de prestigio, não sendo no entanto essa a melhor "medida".

Em resposta à minha pergunta feita durante o workshop ficou uma possível resposta:
- Provavelmente estando felizes já estaremos à beira do "nosso sucesso", sucesso sem felicidade não tem sentido, pois as metas para as quais trabalhamos devem ser proporcionais à nossa felicidade quando as realizamos, ou então talvez não estejamos realmente a ter sucesso, pelo menos na sua verdadeira ascenção.





...Domingo - A Missão...


Num momento de oração o P. Carlos Carneiro sj propos que escolhecemos das missões que iriamos ter como propostas uma, olhando para a imagem do Cristo sorridente, sabendo que seria essa que faria sentido para nós... quando vi as várias propostas houve uma que me saltou à vista imediatamente...


"Prisão de Coimbra"

Algo me atraiu ali, entre as várias opções de visitar hospitais, pessoas idosas, e vários outros...

A escolha não se podia mostrar mais acertada, um pouco sem saber o que ia fazer, mas completamente motivado cheguei à prisão.. (já sem telemóvel, carteira.. etc - por sugestão dos jesuítas de os deixar na carrinha, algo que de inicio não me deixou muito confiante), a questão impunha-se, o que ia eu fazer à prisão de Coimbra, na qual já tinha passado por fora dos muros tantas vezes..

A resposta foi de inicio assustadora, ia para a prisão central, (aquela onde estão os presos com penas mais graves), falar com eles... várias coisas passaram pela minha cabeça: "O que vou falar com eles?", "Será que eles serão minimamente simpáticos?", "Será que lhes apetece mesmo falar com um bando de jovens?"..

Rápidamente tive uma lição em um capítulo sobre visitas a reclusos:
O que nunca fazer:
- Perguntar a eles porque é que eles estão ali.

O que fazer:
- Falar como se fala com um amigo, sobre desporto, sobre a prisão, sobre o que quisermos...


A visão foi algo arrepiante, a prisão digamos que tem um edificio bastante incomum, que vim a saber ter sido originalmente um mosteiro..

Depois de uma pequena visita guiada e de vermos alguns dos passatempos como peças feitas por eles para o teatro, foi a altura pela qual estavamos todos na espectativa, entramos num hall, eramos cerca de 15 pessoas e rapidamente vimos que cerca de 20 reclusos vieram ao nosso encontro, rapidamente o gelo quebrou com as apresentações deles, repletas de humor, que nos puseram muito à vontade e deram aso a conversas "1 para 1", a simpatia e humor daqueles homens, que mesmo estando presos à vários anos, nos receberam assim, é algo que tão cedo não esquecerei.

Ficaram alguns pensamentos sobre as prisões, como a droga as influência, a impossibilidade de criar amizades lá dentro, a tristeza da pouca reintegração social, a agora mais próxima realidade, a lição que não são só os "psicopatas doidinhos" que lá estão, mas que as vezes a droga levamo-nos para onde nunca julgariamos chegar .. a compreensão foi a lição que recebi daqueles homens e que agradeço.

Fiquei a perceber que na realidade a prisão em geral não reintegra, pune apenas, ou ainda leva aqueles homens e mulheres mais fundo do que quando eles ali entraram.. será mesmo a melhor opção?

Ficou a semente cá dentro, espero em breve ter outra oportunidade de repetir o voluntáriado, junto daqueles homens que afinal não são bestas como os julgava mesmo sem os conhecer, são na realidade seres humanos, como nós, com problemas, mas que continuam a ser seres humanos.



Carregado de emoções e com a noção que tinha aprendido muito naqueles 3 dias cheguei ao colégio e despedi-me...

E assim acabou o After-Xav..



Ficou-me um último pensamento: PIS: P. Fabro, Inácio de Loyola, Francisco Xavier.


Private-joke: "Então mas os sacanas nunca se lembram do Pedro, e porque raio é ele só beato?"

2 comentários:

aprendiz disse...

=) Obrigada pela Partilha...
É bom estar presente de outra forma!

;)

Anónimo disse...

Nice colors. Keep up the good work. thnx!
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