sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Aprisionados pela nossa mentalidade



Desde que visitei a prisão de Coimbra fiquei com uma maior noção da realidade das prisões e sistema prisional em Portugal...

A verdade é que percebi que as vezes não é preciso sermos realmente "maus" para acabarmos "mal"... e isso não é um eufemismo... As vezes a vida prega-nos partidas, mas com isto não pretendo defender uma não-punição, apenas um maior entendimento dos presos como "pessoas" e não como "escumalha animalesca".

A verdade é que mais tarde apercebi-me que caso alguma vez sejamos presos será terrivelmente difícil voltarmos a construir uma vida "legalmente".. a verdade é que ninguém vai empregar alguém com cadastro.. a desconfiança é muita.. por um lado justificável porque a pessoa já errou.. mas por outro algo injusta, porque também já pagou por isso e para mudar terá que ter oportunidades...

Quanto menos investirmos nas prisões no sentido de ajudarmos as pessoas a reabilitarem-se.. duma maneira ACTIVA mais acabamos por viver numa prisão..

Será tão diferente as grades duma prisão, do que as grades que acabamos por ter em casa para manter as pessoas fora?

O propósito é diferente, mas a realidade acaba igual...

Estender a mão é um risco... mas se resultar compensa, ajudamos uma pessoa... e isso não dá para medir em termos de dinheiro..

Não acreditas? Desafio-te a visitar uma prisão...

2 comentários:

Advocat disse...

Influenciado pela minha realidade actual, atrevo-me a dizer que o problema não sao os presos mas sim os preconceitos...que são as grades que pomos aos reclusos em liberdade. Lanças-te um bom desafio... eu lanço-te o de visitares uma psiquiatria... nem todos são loucos, mas antes de passar a porta 90% das pessoas acredita que sim... preconceitos!!!

Anónimo disse...

Para quem não sabe existe o voluntariado prisional! O voluntariado prisional consiste numa atitude de pura entrega, sem estarmos à espera de receber nada em troca (bem, isso é a base do voluntariado), mas para termos uma pequena noção, no voluntariado prisional encontramos pessoas que são muito reservadas, mas que têm uma vontade enorme de poder desabafar com alguém "do mundo de fora das grades" tudo o que lhes vai na alma, pode até ser a coisa mais insignificante com a qual não nos identificamos nem um pouco, mas o importante é estarmos a escutar, o saber ouvir...ver sem julgar...amar! Proponho este desafio...e acreditem faz-nos crescer! abraço