sexta-feira, abril 21, 2006

O estado da (educ)nação...



"Os jovens de hoje em dia são a geração rasca.." - esta frase foi ecoada por várias gerações, tal como diziam isso dos nosso pais, hoje acaba por ser a geração deles a dizer o mesmo da geração actual... tábuas encontradas da época de Platão e Sócrates diziam o mesmo sobre a geração da altura...porque?

A verdade é que a nossa tendência "natural" é para preterirmos as gerações mais novas em relação à nossa, porque a certa altura da vida os nossos valores e posições, em relação a tudo na vida, estabilizam e isso faz com que de algum modo fiquemos presos à nossa visão "temporal" e "limitada" do mundo. Não que esta seja pior, ou melhor, mas é uma visão fixa a um tempo que não é fixo, vai avançando...

Tendo em conta tudo isto, e sabendo que a minha própria visão é, certamente, muito limitada, gostava de partilhar a minha reflexão sobre a educação... nem tanto os problemas filosóficos se devemos ou não bater, se o céu é azul ou se somos nós a ser daltónicos, mas sim coisas concretas que vejo...

Actualmente o aparente objectivo dos psicólogos e professores e especialmente das pessoas da área das ciências da educação, muitas vezes também das associações de pais, é que as crianças passem, não que aprendam, mas que tenham boas notas... tendo como visão principal pessoas do secundário, por exemplo, passo a explicar:

Se formos professores e estivermos numa aula, segundo o que nos é dito, por exemplo, não devemos dizer directa e objectivamente, que o aluno errou.. mas que "se calhar isso não está bem..."...

Ora reflictam comigo, quando os vossos pais, ou professores vos diziam que erraram uma coisa mentalmente vocês pensavam logo que deveria ser uma asneira óbvia e/ou grave, e a tendência seria para não a repetir... se nos dissessem por leve que fizemos alguma coisa eventualmente errada..não acháramos que foi grave e nem sempre acabamos por achar inconscientemente que é muito relevante voltarmos a fazê-lo... claro que a prioridade é explicar o erro e não repreender... o que quero dizer é que "passividade" em excesso é prejudicial...

Tendo bases boas a nossa capacidade de inovação e criação aumenta drasticamente, infelizmente, é o contrário que está a acontecer por cá.. o ensino degrada-se e valorizamos mais o saber decorado, do que a inovação, o ter boas notas do que o realmente saber... acabamos por chegar ao ponto de dizer que o conhecimento de ter "decorado" as capitais dos países do mundo é igual, em termos de valor, ao conhecimento de resolver um integral, interpretar uma obra de Fernando Pessoa...

Os testes tem sempre um "teste modelo" ou uns "exercícios importantes" para estudar antes, para que o teste seja parecido e as notas não sejam más.. será isso ensinar? Não será isso enganar o aluno.. dando-lhe a ideia que percebe realmente da matéria.. sendo que caso faça um exame ligeiramente diferente a sua nota tenderá drasticamente para baixo?

A pressão dos testes, dos exames, etc, não é de facto nada positiva, mas neste momento acham realmente que a mentalidade de quem estuda flui de modo a que sem testes se pegue num livro?

É exactamente esse ponto que se tem que atacar.. qualquer que seja o método de ensino caso o aluno não esteja interessado o sucesso tenderá sempre para 0...

A educação passou em termos ideológicos dum privilégio para uma "seca"...

Infelizmente isto tem consequências... e acabamos por ter já o nosso "canudo" e não sabemos realmente muito do que "estudamos"... e depois quando somos Eng. Civis e vamos contruir uma ponte? Ou quando somos médicos e vamos tratar um paciente?...

Será que vamos ter um paciente modelo, ou uma ponte modelo para saber o que fazer? Ou teremos que inovar?

Talvez seja já eu com aquele discurso "no meu tempo é que era", mas na verdade já "no meu tempo" as coisas estavam a tomar este rumo.. fico triste por cada vez mais estarem.. e embora eu diga isto, a verdade é que, eu próprio tenho dificuldades em encarar o estudo de forma agradável... enquanto gente da minha idade na China e índia ou África se acotovela nas escolas para conseguir assistir a uma aula sedentos de conhecimento...

Será que queremos aprender ou ter um canudo?

1 comentário:

Anónimo disse...
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