quinta-feira, julho 13, 2006

Comodidades...



Hoje fui ver este filme...

Quando entrava para a sala de cinema pensava que iam ser mais umas horas, bem passadas, com pessoas de quem gosto, a ver um filme que me faria rir, e que no "The End" tudo acabaria bem, como é "suposto" em Hollywood...

Foram realmente horas bem passadas com pessoas de quem gosto, mas o filme fez-me refletir sobre o valor que damos aos pequenos pormenores...

Às coisas do dia-à-dia que nos fazem que nem damos conta, mas que fazem tanta diferença... ao "lavar da roupa", ao passar dela, ao ter comida no frigorifico aparecendo, mais ou menos, "magicamente" lá... normalmente nem notamos que estas coisas foram feitas, nem que teve de haver alguém a preocupar-se em faze-las ou o trabalho que isso deu...normalmente não lhe damos grande valor até porque são pormenores... mas se uma delas falha notamos de imediato... talvez até resmunguemos...

Curioso como precisamos que algo corra mal para percebemos o que estava bem...

Mais do que como é dito no filme, considerar alguém "um dado adquirido", para mim esta falha que, pessoalmente, acabo por ter muitas vezes, e que a partir de agora vou tentar por tudo colmatar, tem a ver com deixar de reparar...

Deixar de notar quando alguém diz que gosta de nós...

Deixar de notar quando alguém nos dá um mimo...

Deixar de notar quando alguém precisa de nós...

Deixar de nos "auto-avaliarmos" ao fim do dia...

Deixar de abdicar de algo que gostamos, simplesmente para fazermos algo que outra pessoa gosta...

Deixar de nos por "no lugar da outra pessoa"... ter uma visão parcial, que vale muito pouco...


Deixar de ter aquele brilho nos olhos quando vemos alguém, tal qual criança...


É fácil tornarmo-nos egocêntricos e nem notarmos... como sempre a sinceridade é o grande trunfo, para ouvirmos e dizermos e percebermos que afinal, quase nunca o nosso ponto de vista é o único que existe...


Estarei muitas vezes a "dormir acordado"?
Espero que não...

3 comentários:

Skysurfer disse...

Opinião mesmo muito pessoal, tento colmatar isso tirando um tempinho todos os dias para mim e para Deus. Pode ser um hábito, contudo obriga-me a rever o meu dia, ver as falhas, dar valor aos promenores que tu tanto gostas, ao simples sorriso, ao simples olá... acho que foi esta a grande mudança na minha vida depois de me ter encontrado, no La Baguette, dar valor a todos as pequenas coisas da vida, e ver os "toques de Deus" que nelas existem...

ceci disse...

:) bom post! fiquei com vontade de ver o filme, pelas pequenas coisas...

Anónimo disse...

Sabes... Dizem que o amor nem sempre é sentido... Olhado... Ouvido... Que às vezes, apenas o vemos quando "a chuva cai"... E o Mundo dá a volta. E, na realidade, só se preocupa connosco quem realmente nos ama... De uma maneira ou de outra... E quem nos lava a roupa e quem nos faz o jantar... É alguém que certamente nos ama... Alguém que sorri quando sorrimos... E que chora quando choramos... No entanto, é como tudo na vida... Não somos perfeitos e, como tal, nunca conseguimos dar a devida atenção e importância àqueles que realmente a merecem... No entanto, há algumas, momentos e lugares - como este teu - em que tudo fica transparente... Em que realmente olhamos para as coisas e... As vemos. Todos somos imperfeitos e... Todos temos "dados adquiridos"... Só nos deixam de ser "adquiridos" quando os perdemos... E nem sempre nos apercebemos disso... Ou sim, talvez... Apenas quando deixam de ser "adquiridos" para passarem a ser "perdidos"... :) No fundo... Tudo é amor... E o que sentimos e vemos acabará por se tornar mais limpido quando acordarmos do sono que eternamente nos adormece... São terna e suavemente... Tão cega e dissumuladamente... Tão bela.