sexta-feira, julho 14, 2006

Curiosidade do dia



Toda a gente já deve ter reparado naquele número atrás do BI...

Normalmente diz-se que é o número de pessoas em Portugal com o mesmo nome - MITO.

Como também há quem diz que é mentira, mas poucas pessoas provavelmente já vós explicaram o que é realmente, assim, deixo aqui a explicação breve:

"Cada Bilhete de Identidade tem um número de identificação (na parte de trás, no canto superior esquerdo) e que se mantém inalterárel ao longo da vida do indivíduo (mesmo que o BI seja renovado por causa de outros motivos como, por exemplo, a mudança de estado civil ou de residência).

Dada a importância do BI, é imprescindível que a transmissão deste número decorra sem erros. É este o principal objectivo do algarismo de controlo* que se encontra à direita do número do BI, num pequeno quadrado. Note-se que, quando estão em jogo números tão grandes ou maiores que os do BI, a probabilidade de uma pessoa se enganar ao transcrevê-los não é assim tão desprezável. A solução ideal seria escrever o número do BI num computador (algarismo de controlo incluído) e este verificar se o número de BI com aquele algarismo de controlo é válido ou não. Se não for, ou houve engano a escrever o número ou o BI em questão é falso.



Como se determina então o número de controlo do BI?

O algarismo de controlo do BI é um algarismo que é calculado a partir do número de identificação do seguinte modo:

9x1 + 8x2 + 7x3 + 6x4 + 5x5 + 4x6 + 3x7 + 2x8 + C = 0 (Mod 11)

onde C é o algarismo de controlo, x1 é o 1º algarismo do número de BI, x2 é o 2º, x3 é o 3º e assim sucessivamente. Aos números de BI que tiverem menos de oito algarismos, deverão ser acrescentados os zeros necessários à esquerda do número, até este perfazer oito algarismos. Por exemplo, o número 123456 deve ser encarado como 00123456.

Note-se que estamos a considerar a Aritmética Modular e não a aritmética usual.

De qualquer modo, C é o número que somado a 9 x1 + 8 x2 + ... + 2 x8 dá origem a um múltiplo de onze, ou seja, o número C é escolhido de modo a que 9 x1 + 8 x2 + ... + 2 x8 + C dê resto zero quando dividido por onze.

Mas afinal que valores pode tomar este algarismo de controlo? Uma vez que estamos a considerar a divisão por onze, temos que o algarismo de controlo pode tomar o valor 0 (quando a divisão de 9 x1 + 8 x2 + ... + 2 x8 por onze tiver resto zero), o valor 1 (quando a divisão de 9 x1 + ... + 2 x8 por onze tiver resto 10), o valor 2 (quando a divisão tiver resto 9) e assim sucessivamente até chegarmos ao número 10 (que é atingido quando a divisão tiver resto 1).

Surge então um problema: pretende-se um número de controlo que seja composto por apenas um algarismo (0, 1, 2, 3, ..., 9), mas este pode tomar onze valores distintos, ou seja, 0, 1, 2, 3, ...9, 10. O que fazer então? Uma das soluções possíveis é a aplicada pelo ISBN (International Standard Book Number) - o número de identificação de cada livro e que usa um sistema semelhante ao do BI, apenas trocando a ordem dos pesos de cada algarismo - que é substituir o número de controlo 10 pela letra X (que significa 10 em numeração romana).

Deste modo, consegue-se usar apenas um caracter para cada número de controlo e onde dois controlos diferentes são perfeitamente distintos (parece uma condição óbvia, mas vamos ver à frente que, se calhar, não o é assim tanto).

E no BI? Qual foi a solução encontrada? A utilização do X, em vez de um número, em certas pessoas (cerca de 9% da população) deve ter sido visto como um possível acto discriminatório (a sorte é que os livros ainda não protestam...) e portanto resolveu-se pura e simplesmente cortar o algarismo um ao número dez, ou seja, todos os BI´s que deveriam ter número de controlo dez passaram a ter zero.

Com esta opção torna-se impossível distinguir (pelo menos apenas por observação directa) quem tem o número de controlo zero de quem tem o controlo dez.

E assim foi por água a baixo a utilidade do sistema de controlo que se pretendia implementar. Para quê alguém pedir o algarismo de controlo se este está errado em 9% dos casos?

Se pensar um pouco, repara que nunca ninguém lhe pediu este seu algarismo... a não ser quando vamos revalidar o BI, no impresso para o efeito... E este defeito no algarismo de controlo também se verifica no Número de Identificação Fiscal (NIF), uma vez que o sistema utilizado é exactamente igual ao do BI."

Informação retirada daqui.


Incrível como até uma coisa que podia ser útil, conseguimos tornar tão inútil...

Passemos agora a espalhar a verdade...

3 comentários:

ceci disse...

Sabia que era um numero de controlo, mas não fazia ideia de como era obtido. E sim, tornou-se inutil... (mas a alguém que saiba da regra pode sempre abrir uma excepção para os zeros e dez)
:D enfim, seria preciso saber.
bjs

Anónimo disse...

Ainda creio que a inutilidade é o que fazemos dela... Temos o yin e o yang... Podemos olhar para o lado branco ou para o lado negro... :) Temos um copo meio cheio ou... Deverei dizer meio vazio? Será apenas útil no que ajudar... E inútil no que não cumprir a sua função... Agora o que é... Vai depender da forma como olhamos para ela. :) Quem sabe se os 9% não valem os outros 91%? Hum... Sinceramente, não fazia ideia do que fosse... Embora me soasse estranha a ideia do número de pessoas com o mesmo nome... :) Gostei da informação. Obrigada por me iluminares um pouco mais o espírito e o conhecimento. :)

NeTeInStEiN disse...

De facto, é verdade, talvez tenha sido pessímista...