sexta-feira, outubro 13, 2006

Labirinto de Palavras



Dei comigo ultimamente a olhar para o "messenger" e para os nicks dos meus contactos, especialmente a malta das gerações mais novas.

Não estava a observar o que muitos chamam "escrita à pita" com muitos "x" e afins (coisa que confesso que não gosto nada... porque é uma distorção do sentido inicial que era abreviar palavras), mas sim a quantidade de nicks que tinham "amo-te, adoro-te"...

Confesso que me faz imensa confusão a banalização de algumas palavras... não pelas palavras em si, mas pelo que expressam, e dificilmente diria a um amigo ou mesmo até a uma namorada com quem tenho uma relação à pouco tempo que a amo, não por não sentir uma amizade, respeito ou paixão por ela, mas porque simplemente "guardo" essa palavra para usar mesmo em poucas ocasiões, talvez seja parvoice minha... mas acho que a palavra "amor" é na nossa sociedade o extremo do sentimento de afecto, amizade e respeito, e usa-la normalmente desiquilibra as noções "normais", se amo um amigo, também amo a pessoa que vive comigo uma vida inteira?

É um pouco como ter uma régua e só ter a marcação dos 10cm e não ter nada para trás nem para a frente...

A certa altura, a palavra deixa de ter o significado profundo que a caracterizava por ser banal ouvi-la ou dize-la.


No entanto, digo isto, acreditando plenamente que é possível, com a pessoa que passamos uma vida, dizer também todo esse tempo "amo-te" sem que perca o significado.


De qualquer modo, sempre fui meio "excêntrico" em algumas coisas, talvez isto seja uma delas...

...será que sou demasiado "selectivo" com o que digo?

3 comentários:

Luna disse...

É... De facto é estranho como as pessoas dizem as coisas de uma forma tão banal, tão... "Fácil". Como se todo um conjunto de sentimentos se pudesse comprimir por forma a ficar num único "ficheiro .rar"... Como se tudo aquilo que vamos cuidando e criando se podesse resumir a um "amo-te"... É-me estranho, tão estranho...

Cansaço... Tanto cansaço... Que nem mais eu me entendo...



Desculpa-me o abandono... Já "sabes" pelo que foi... Cá estou...

Mystikal disse...

"A certa altura, a palavra deixa de ter o significado profundo que a caracterizava por ser banal ouvi-la ou dize-la."
Nem mais..
Até por ser uma palavra que nos toca, preferimos usá-la em situações especiais e em ambientes apropriados.
Não é só essa palavra, tantas outras na língua portuguesa que andam a ser mal tratadas e usadas com um abandalho incrível.
Enfim, mais um bom texto ;)

NeTeInStEiN disse...

Obrigado por gostarem de ler o que eu escrevo, e mesmo quando não tenho tempo de escrever tão frequentemente, continuarem a vir cá :-)