sábado, fevereiro 17, 2007

Relações II


Faz-me alguma confusão quando alguém considera uma relação uma prisão...

Primeiro, porque nunca achei que a vida era um concurso "quantas namoradas já tiveste?", sempre achei, e acho que na parte afectiva é uma busca por uma pessoa que nos acompanhe, ou então opção pelo celibato, tendo objectivos desportivos, profissionais ou religiosos que em consciência percebemos que nos impediriam de ter uma família, por não lhe dedicarmos o tempo necessário.

Se estivesse noutra cultura, na muçulmana, talvez falasse em múltiplas mulheres, mas a verdade é que por vários motivos acho que a opção de uma única é sensata, primeiro, obviamente, pela sociedade e educação que tive que me indicam isso... mas também por conclusão de objectivos, ou seja, resposta à pergunta "Porque procuramos alguém?", ou talvez nem procuremos, mas achamos na mesma...

Se eu responder a essa pergunta, respondo que é alguém que é uma amiga das mais profundas, pela qual tenho uma atracção pela personalidade e física, (aquilo a que normalmente se chama química), e com a qual me sinto bem, e partilho o meu intimo, e quero continuar a partilhar.

Quando falam em poligamia lembro-me sempre do filme que referi à uns posts atrás Kinsey em que a história anda à volta de um professor que é da opinião que todos os actos sexuais que se sente vontade, devemos dar continuidade, (se consensual e ambos adultos)... existe uma equipa a trabalhar com ele que toma também esse principio, mas a certa altura quando existem relações físicas que se tornam mais do que isso entre pares de casais diferentes, tudo começa a ser complicado... as discussões espalham-se... e em pouco tempo as amizades dissolvem-se.

Aquele filme fez-me pensar como se já é difícil manter uma relação com uma pessoa, como seria impossível manter, pelo menos para mim, uma relação com várias, nem que fosse noutra cultura... e como as relações físicas, não são só isso, são uma troca de intimidade e afecto... mesmo que as pessoas não se apercebam disso inicialmente... mais tarde irão ver consequências disso.


Prisão? Eu chamaria-lhe realização do plano afectivo...

...mas talvez eu seja "tradicional"...

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