quinta-feira, junho 21, 2007

Jornalismo


Há coisas que realmente me irritam...

Uma delas é o jornalismo critico que perde a noção...


Hoje ouvia que uma senhora tinha sido acusada de roubar um produto de um super-mercado que custava uma coisa mísera comparada com o preço do processo judicial que causou a acusação de roubo...

A critica implícita ia no sentido de ser ridículo haver aquele processo quando era gasto muito mais nele do que o produto custava...

À primeira vista parece prático... o estado gasta mais do tribunal do que no produto, mais valia pagar o produto e não haver processo... mas é de mim ou isto viola completamente a sensatez e o razoável?

Um possível crime não é quantabilizável, senão ao extremo deixaremos de julgar homicídios porque fica mais barato indemnizarmos a família... Exemplo exagerado, é verdade, mas este tipo de reportagem parece-me ridícula... o foco da lente aproxima-se tanto da história que deixa de ver ou mostrar todo o contexto adjacente...

Lei e lei, e deve ser aplicada sem margem para excepções económicas.

Se o for aplicada com elas, deixa de ser lei, passa a ser uma equação económica, que apenas se executa quando dá jeito... e facilmente deixa de se fazer por outros motivos.

Será que sou eu que sou radical?

...ou realmente isto foi ridículo?

terça-feira, junho 19, 2007

Ocupações



Há alguns anos eu era provavelmente das pessoas mais preguiçosas que podiam conhecer...

Tinha mesmo prazer e guardava tempo para ficar deitado só a vegetar, a viajar por pensamentos...


Entretanto algo mudou... assumi alguns cargos, dediquei-me a eles, senti-me bem a conseguir melhorar as coisas das quais fazia parte... parei pouco a pouco de ter momentos para apenas vegetar... usava as minhas pausas para "mudar a thread" no meu cérebro, ou de maneira um não informático perceber, usava-as para mudar o tema do que pensava e do que fazia...

Usar o meu tempo para fazer algo que considero produtivo é algo que neste momento é essencial para mim, e me faz sentir bem.

Estará a tornar-se um vício?...
...ou apenas um hábito saudável...

sexta-feira, junho 08, 2007

Concerto


Inicio de dia, (ou será fim?!), o cansaço não deixa bem perceber.

Já lá vão uns dias sem parar o ritmo, quase sem dormir, e sem parar de trabalhar.

Ainda mal tinha acordado e começa um adeus a um grande amigo, é mesmo bom ver as pessoas receber o afecto e reconhecimento que merecem... é bom ver que elas sentem isso na pele, e que se emocionam. É bom ver que pudemos contribuir para um "obrigado" sentido, e que é um adeus que se sente como até já porque a amizade não se perde no tempo...

Como tudo ultimamente, não tenho tempo para digerir, arranco, pelo país, mais um sitio visitado...


Finalmente, rumo ao norte, vou com o objectivo de ir ao concerto da Mafalda Veiga, confesso que nunca foi uma cantora que me tivesse chamado a atenção, no entanto a companhia valia a pena.

Chegamos, mesmo em cima da hora... vejo pessoas conhecidas, abraços de pessoas que me mimam só por estar ali, estou reconfortado... no meio disto surge uma rapariga que me diz "Olá!", digo-lhe "Olá Lúcia", vejo um sorriso e ouço uma exclamação "Lembras-te de mim!".... e pouco depois começa o concerto da banda que ia introduzir...

O concerto inicial foi uma surpresa muito agradável, sentia-me desperto do sono e cansaço, e a exclamação daquela rapariga não deixava de estar presente... foi um sorriso agradável, por algo tão simples como lembrar-me... foi uma alegria tão espontânea que me contagiou, foi simplesmente especial...

O concerto avança, e aparece a Mafalda... estava embrulhado nestes pensamentos, e de repente vejo uma Mafalda emocionada pela recepção que teve, pelo carinho das pessoas que a ouviam, e pensei o quanto era parecido com aquela rapariga que me tinha falado antes... também ela sentia o reconhecimento, de mais pessoas, mas era o reconhecimento... era o estar ali para a ver e ouvir... era o estar ali por ela, conhecer as músicas delas, cantar e agradecer-lhe com gestos, ela estava emocionada...

Também a rapariga me agradeceu por algo que para mim era banal antes, agradeceu sem palavras, só com o olhar...

Ouvia músicas que contavam histórias dela... ouvi-as de outra maneira, eram músicas que revelavam muito... era músicas que só podia perceber ali...

Até ao fim do concerto não me saia do pensamento: "Toda a gente merecia de vez em quando estar ali no palco...", enquanto isto sorria, se não fosse o desafio de uma pessoa não tinha estado ali, com ela, e percebido tudo aquilo...


Foi uma viagem lusco-fusco...

...mas valeu brutalmente a pena!

sexta-feira, junho 01, 2007

Rebeldes


Falava à dias com uma antiga professora minha, alguém com quem criei uma relação de amizade.

Estávamos a conversar animadamente sobre uma ideia e falava-lhe de outra pessoa da minha antiga turma, da qual ela não se lembrava do nome.

Comecei a tentar descrever: "aquele que 'tava sempre lá atrás comigo a fazermos porcaria.."

Ela soltou uma risada e disse algo que ficou na minha memória, "É engraçado com o mau comportamento, se moderado, pode ser tão positivo. As situações que mais nos lembramos é de quando fazíamos asneiras com amigos."

Nunca tinha pensado nisto, mas não deixa de ser verdade, acabamos sempre por nos lembrar das parvoíces que fizemos, anos mais tarde rimo-nos delas e trocamos histórias...


Afinal ser criança acaba por ter muito a ver com isto...

...ou pelo menos acho que sim :-)