terça-feira, janeiro 15, 2008

Command in Chief


Hoje estava a ver esta série. Se a vêem na televisão portuguesa (SIC), devem conhece-la por "Sra Presidente"... para quem não conhece basicamente é sobre uma vice-presidente dos Estados Unidos da América que após a morte súbita do Presidente eleito, contra a opinião de quase toda a gente, assume a presidência.. e a partir dai passamos a ver o dia-à-dia da gestão duma das maiores potências da actualidade.

Não é das minhas séries de culto, mas confesso que gosto.

Retomando a linha de raciocínio, a coisa que mais me chamou a atenção no episodeo foram os cuidados que foram tomados para a presidente revelar uma decisão e fazer um discurso ao país...
O discurso, escrito por uma "especialista", foi preparado ao milímetro...

Faz-me alguma confusão esta vertente da politica, em que o que se vê é mais importante do que realmente existe, porque sei que é real. Normalmente as medidas correctas não são as mais populares... mas é essas que deverão ser tomadas... embora haja o grande risco de perda de popularidade...

Este balanço é complicado.. embora ache que seja importante haver uma boa fonte de informação para as pessoas, sobre as decisões, a importância que se dá à maneira como a informação é dada começa a ter o risco de ser mais importante que a decisão em si...

Curiosamente, ao estar na liderança, de um movimento não-politico, tenho-me apercebido cada vez mais da importante que se dá ao marketing de informação. O controle de informação é considerado peça essencial, para que se revelem as coisas na hora escolhida para terem um impacto controlado...

A ideia é que as pessoas são resistentes à mudança, e por instinto reagirão sempre contra. A maneira de ultrapassar isto é conseguir que as pessoas recebam toda a informação necessária para perceberem a mensagem completa, sem que haja tem para reflexos negativos.

Compreendo perfeitamente isto, e sou o primeiro apologista de ter cuidado ao revelar algo. Embora goste de chocar, sei bem qual a reacção das pessoas... é exactamente a que falei acima, rejeição.

Fico altamente constrangido é quando as coisas se invertem, e as decisões não são tomadas em virtude da sua futura pouca popularidade... perde-se o sentido, já não se pensa nas decisões certas, mas apenas nas mensagens certas a enviar...

Creio que hoje em dia esse é o maior risco da política... dai se prometem mundos e fundos, a mensagem vem bonita..é agradável..

A culpa também é nossa, provavelmente é 90% nossa, porque gostamos mais de ouvir algo que nos favoreça do que algo que realmente seja bom na "big picture"... e caimos nas mensagens pré-planeadas, que nunca serão realizadas, ou a serem, causarão a longo prazo efeitos nefastos... passamos a absorver o que nos dizem em vez de usarmos a cabeça.

Tenho pena quando um politico se torna um gestor de marketing...

...quando poderia ter a mais nobre das profissões, melhorar o mundo!

[Adição posterior: Enquanto conduzia hoje lembrei-me de uma das premissas de um bom líder: fazer com que as pessoas sigam voluntariamente o caminho que ele indica. Talvez tenha sobrestimado algumas coisas devido à minha repudiação à cultura da imagem...]

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