quinta-feira, maio 29, 2008

A doença do século


Acho que as previsões falharam na doença do futuro ser o stress.

Existe uma nova doença a emergir silenciosamente, não se nota, e provavelmente nem cria problemas de saúde notórios ao contrário das restantes...

Hoje em dia a motivação parece-me ser a doença em maior crescimento, que afecta grande parte da nossa população.

Falta a motivação para trabalhar, falta a motivação para sonhar, falta a motivação para criar algo de novo...

Desmultiplicam-se formas de tentar motivar, o empregado do mês, o troféu de produtividade, o prémio monetário de produtividade...

Tudo tenta desconstruir o problema, criando estímulos para mascarar a base da crise.

Eu próprio tenho crises de motivação, curiosamente é só em algumas partes da minha vida, e isso tem-me feito reflectir bastante... porque é que isso acontece só em algumas?

A verdade é que percebi que só onde me sinto único, quase indispensável, a fazer diferença é que me sinto realmente motivado. DAH, é lógico Pedro!...

Por acaso não me parece tão lógico assim, como é que não temos motivação para um curso que escolhemos, para um emprego que temos e que nem desgostamos, e para tudo o resto... algo está mal.

Pensei nas conversas com os meus avós, em como eles contam inúmeras vezes que lutaram por não ter fome, como era tudo difícil... percebi que as dificuldades criam motivação, não que agora seja tudo fácil, mas acabamos por não o sentir realmente na pele como em outros tempos. Quantos de nós já alguma vez estivemos mesmo realmente perto de sentir fome por não haver dinheiro e sentimos uma necessidade de trabalhar para o evitar?

No entanto, existem inúmeras pessoas que sem este estimulo de "matar ou morrer", estudam, trabalham e vivem motivadas... e foi isso que me fez pensar no que falei.

Naturalmente só me sinto motivado quando sou especial. Quando fui das melhores notas da turma, ou o primeiro a subir o amazonas. Quando descobri algo inovador no meu emprego, ou quando vi a terra do espaço. Quando fui com a minha família simplesmente andar no parque ou quando fui nomeado prémio Nobel da física.

Parecem coisas distantes, mas tem um ponto comum simples: sou especial.

Deixa de ser fácil quando somos mais uma pessoa, ou um número.

Isto vem muito de encontro ao que vejo como objectivo de vida, deixar uma marca positiva. Essa marca pode ser simplesmente numa pessoa, ou em milhões, no entanto persiste, a pessoa ou pessoas guardam-na como especial.

Precisamos de nos sentir assim.

Ultimamente grandes empresas já seguem padrões que parecem indicar isto... todos os empregados, mesmo o hierarquicamente mais baixo a poderem sugerir modificações na empresa que caso optimizem seram postas em prática. É um pequeno exemplo de como para além de aproveitar as capacidade de todos estamos a dar voz... e se for uma boa sugestão e for usada, provavelmente a motivar muito a pessoa, quando vê que realmente as suas ideias são tão boas que são postas em prática.

Infelizmente muitas vezes só o topo da hierarquia se sente assim... com liberdade de conseguir mudar alguma coisa... que coisa pode desmotivar mais uma pessoa do que ver algo mal, que corrigida nem lhe traria nenhuma vantagem, mas no entanto tem vontade e não pode fazer nada para o corrigir?

Se num trabalho a reflexão, embora demorada, pode criar maneiras de motivar... penso muitas vezes de como no estudo se consegue.

Tal como nas empresas, temos as motivações financeiras, nas universidade, com as bolsas de mérito. Sabemos que é bom ter uma boa média. Temos a nossa família a dizer-nos "estuda". No entanto quantas vezes acabamos por nos sentir pouco motivados?

Ultimamente a minha motivação esta no que esta depois do estudo, na motivação de crescer mais e da vida depois... mas a distância temporal e a pressão que isto causa tem-me feito por em questão se será essa a motivação que deveria estar a incentivar dentro de mim....

Acho que ainda não percebi bem esta "coisa"...

...mas ando a pensar sobre isto...

1 comentário:

Anónimo disse...

triste realidade...
de facto, a falta de motivação começa a atacar forte e feio... especialmente as crianças e jovens.
mas também, como evitar isso quando vemos que nos esforçamos para tirar um curso e a recompensa é o desemprego? que, como escreves-te, não passamos de um número numa lista, de uma média numa pauta e até mesmo de algo completamente dispensável e substituivel?
penso, muitas vezes, que se calhar é melhor não "desperdiçar" o meu tempo a estudar (o que deveria estar a fazer neste preciso momento) e, simplesmente, aproveitar para me divertir... afinal, não sabemos se haverá amanhã. mas contando com o amanhã, não deveria estar agora a prepará-lo (já sinto remorços de não estar a estudar)?
enfim, é tudo muito confuso e nunca vai haver nenhuma fórmula ou filosofa completamente esclarecedora...

ups... acho que me desviei um pouco do meu proposito... que era apenas dizer que gostei da reflexao...