domingo, maio 25, 2008

Pessoas


Nota introdutória: Por vezes tenho evitado escrever aqui sobre temas que sei que são polémicos até para as pessoas que me acompanham... reflecti bastante sobre isto e achei que era um facilitismo e uma parvoíce. Estou aberto à conversa, e até a mudar de opinião depois duma (bem fundamentada), por isso não há motivo para evitar. Assim também a quem lê peço a mesma abertura, farei um esforço por responder a todos os comentários construtivos, independentemente se é algo mais sensível, ou algo banal :-)


Durante este fim-de-semana tive uma discussão, leia-se discussão no bom sentido, daquelas em que temos oportunidade de trocar argumentos e não há tons de voz a levantarem-se e a discussão a passar para argumentos irracionais. Para alguns chama-se talvez um debate, ou uma conversa.

Podia introduzir o tema dizendo, eu sou heterossexual mas respeito blá blá blá... mostrando algum receio em ter conotações de alguma coisa, por isso sou mais frontal e digo, respeito as opções sexuais que não violem os direitos pessoais.
(Embora seja óbvio, especifico aqui que abomino a pedofilia, a violação, etc... e acho mal ter que o referir quando falo neste contexto, mas preferi ser ainda mais claro).

Neste caso sim, falo da homossexualidade, que percebi que ainda é um tema que muita gente lida mal.

Não sei se é correcto chamar-lhe opção sexual, porque não tenho a certeza se é uma opção ou não, mas a questão é que há pessoas que se desviam do padrão mais frequente, que não gosto de chamar normal, porque nada é normal, para terem uma vida a dois com uma PESSOA que por acaso é do outro sexo.

Percebi durante a discussão, que mais do que a questão do amor entre duas pessoas, a grande questão é a sexualidade... o que me espantou.. pensei se será mesmo a sexualidade a impelir duas pessoas a ficarem juntas, ou se é o amor.

Visto bem as coisas, também no heterossexuais existem as relações por atracção física.. mas tipicamente não são estáveis... talvez dai a instabilidade actualmente já talvez da maioria das relações, pela importância da imagem.. mas isso já divagaria noutra reflexão.

Durante a conversa vi também argumentos de que uma relação assim não poderia ter objectivo de vida... o que me fez alguma confusão, porque afinal o objectivo duma relação só pode ser ter filhos? Isto levanta muitas questões...

Actualmente acho que não seria saudável uma relação homossexual ter filhos à mistura... não por serem maus pais, mas acho que tem muitas variáveis que não julgar com clareza suficiente para considerar que é algo saudável.

No fundo fiquei algo chocado ao ouvir chamar doença à homossexualidade, embora se tenha dito que era no sentido profundo de fazer mal à pessoa por falta de estabilidade etc... pareceu-me altamente ofensivo.

Procurei depois a palavra no dicionário: do Lat. dolentia
s. f., alteração na saúde; falta de saúde; mal, moléstia, enfermidade;
fig., mania; paixão; vício; defeito.

Fez-me alguma confusão as posições que senti como radicais, por imaginar o que pode uma sociedade assim fazer a alguém que sente a sua sexualidade não como heterossexual, e luta com isso para não ser destruido socialmente. Perguntei o que fariam se o filho de um deles lhes dissesse que era.. e a mim a resposta assustou-me...

Algo no fim concordamos, as exposições radicais dos movimentos gays são excessivas, e caiem no outro extremo em que tentam pelo "choque" levar as pessoas a aceitar...criando uma onda contrária.


As vezes sinto que se cai apenas nos extremos, quando os valores se alegam ser tolerantes e valorizar a dignidade de cada pessoa.


A conversa acabou sem grandes alterações às opiniões, muitas vezes as discussões são assim... mas foi saudável!
É raro, pelo menos para mim, haver momentos em que expomos a nosso opinião em conversa em temas que são complicados, sem receios, abertamente e com pessoas dispostas a ouvir a mudar de opinião no limite. Faz-nos pensar e isso é das coisas mais saudáveis...

No fundo somos todos pessoas

...e acredito que o respeito mutuo é a segunda base mais importante que temos.

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