domingo, outubro 26, 2008

O amor


Amor.. do latim amor.

Dois apaixonados passam dias juntos perto do mar, ou no campo.. é óbvio que viajam. O rapaz encantador sabe sempre o que apetece à rapariga e leva sempre uma roupa que lhe agrade com o perfume que ela gosta, para o restaurante que ela gosta.

Não é que ela lhe diga, ele adivinha, afinal estavam destinados.

Os gostos tem algumas diferenças, mas há sempre coincidências avassaladoras, como o espectáculo que por acaso ambos foram ver e se encontram lá...nenhum deles disse ao outro que ia, mas calharam lado a lado.


Ambos ligam um ao outro, mas nenhum disse o número de telemóvel e nem sequer tem amigos em comum... estava destinado.


Eles namoram, mas curiosamente nunca disseram isso um ao outro...


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Muitas das vezes é esta a história que vivemos, ou que queremos viver. É a história de um amor poético e que deriva directamente do destino e que nem precisa que digamos alguma coisa, acontece.

Nem precisamos de falar sobre nós, a pessoa afinal tem que já saber senão não está destinada.

Embora vivamos na era da comunicação e tenhamos instant-messanging, SMS, E-Mail... a comunicação continua a ter as mesmas dificuldades de quando ainda não havia um sistema centralizado de correios. E conversar cara-à-cara? Uiii, puxadote...

As vezes acho que vivemos no mundo de Hollywood, aquele que está umas linhas acima...

A sinceridade de duas pessoas que pretendem passar a vida juntas continua a ser difícil. Falar sobre os desejos, as coisas que não gostamos dos planos mais secretos... isso não é materia para filmes.

A vida banal é banal demais para o ecrã, e dificil demais para a nossa cabeça. Afinal num filme romântico nunca vi uma conversa séria sobre como faço a gestão dos meus desejos sexuais dentro da relação, ou porque não gosto que as pessoas saibam o que tou a pensar...

Criar hábitos de conversa sobre como está a "nossa relação" e responder com sinceridade é... complicadote. E se a outra pessoa não acha o mesmo? E se digo alguma coisa que a outra pessoa leva a mal..?
No fim de contas até nos podemos afastar da pessoa que nos está destinada.. mas espera, mas a pessoa que nos está destinada não era suposto ser perfeita para nós...?

Então porque não falamos abertamente, deve ser porque nem é preciso... é perfeita, obviamente!

É mais fácil falar com os amigos, eles estão sempre do nosso lado, mesmo quando não temos razão, ou não existe um lado com razão, (aqui entra aquela coisa chata de: "uma relação quando acaba é sempre culpa dos dois").

Passados os primeiros anos, (meses?...semanas?), já nem falamos de coisas muito sérias.. às vezes há coisas que me irritam... mas ninguém é perfeito, e além disso no dia seguinte já passou não me vou irritar com isso... assim está sempre tudo bem, tudo menos discussões!


Com alguma ironia (obviamente) partilho esta reflexão sobre a normalidade do que é não ser verdadeiro.. no geral, mas em especial com a pessoa que era suposto conhecer mais sobre nós e conversar mais connosco.

Desentendimentos surgem, relações terminam... mesmo assim é mais fácil ir mandando umas frases soltas... dizer a frase toda é complicado...


Felizmente "obrigaram-me" a não entrar nesta mania colectiva...

...infelizmente vejo-a cada vez mais à minha volta...

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