sexta-feira, janeiro 16, 2009

Ad eterno


Nos dias de hoje é impensável que um filme, um vídeo, um texto famosos se percam na história. Ou não será?

Parecem haver mil meios de comunicação, e especialmente com os electrónicos tudo está guardadinho, nem um email se perde!

Na verdade assumia isto muito com verdade... e assim sendo fiquei quase em choque quando vi uma reportagem sobre os filmes do início do século XX estarem quase todos perdido...

A partir poderá pensar-se que foram perdidos literalmente, alguém que os tinha arrumou-os num baú sem fundo.. mas a verdade é muito mais estranha...

Decompuseram-se.

Ainda agora fico algo atordoado com a ideia... o material onde estavam como tudo na terra decompõe-se, e assim fez...

Pareceu-me estúpido ao início... depois cai em mim, somos seres humanos não deuses da eternidade.


Acho que aquela pequena reportagem foi um choque de realidade... em que me apercebi de que não só nós somos finitos, mas como tudo o que possamos produzir.

Pensando bem agora que escrevo, talvez me tenha abalado porque nunca temi o nosso estatuto efémero, porque sempre achei que o importante é o que deixamos feito... ultimamente até mais as pessoas que deixamos.

Com esta realidade, afinal o que deixamos pode em si ser também finito e não perdurar, mesmo que seja um feito histórico, tal como o primeiro filme...

Embora seja um grande fã da "história" e ver perder coisas históricas me faça alguma confusão só por si, (atenção que nem sou grande fã dos filmes da época), não sei se foi apenas isso que me "deu um choque"...


Ainda não percebi totalmente porque é que me despertou a atenção a notícia...

...mas o facto é que despertou...

2 comentários:

Azoth disse...

Bom dia
De facto, os materiais sobre os quais guardamos as nossas memórias têm um tempo de vida cada vez menor e isto é verdadeiramente preocupante. Não é só o valor da peça que se perde, mas também o que é esquecido, pois perder a memória é cometer de novo os mesmos erros.
Por exemplo, as editoras, na ânsia de uma produção massiva, que implica suportes de fraca qualidade, não sei se o tempo de vida de um livro atingirá os 100 anos. Dá que pensar, quando ainda hoje são encontradas escrituras com 2000 anos.
Um abraço

An@ disse...

"nothing last forever" ja diziam