domingo, maio 10, 2009

I have a dream...


Numa mailing list em que estou inscrito, num contexto universitário, surgiu uma discussão sobre a importância do grau académico e como isso deve influenciar a maneira como somos tratados em comunidade.

Os argumentos prendiam-se com o mérito que um licenciado, mestre ou doutorado tem ao ter o curso, e como ele deve ser melhor tratado de quem não tem... tal como uma pessoa honesta deve ser melhor tratada que um assassino... ou como o presidente da República deve ter um tratamento diferente do que todos os outros cidadãos...

Como argumento final a maneira de como tratamos os nossos amigos melhor que a pessoa comum era um elemento discriminatório básico que demonstrava o principio.


Confesso que isto me fez confusão... muita confusão.

Sou muitíssimo a favor dum tratamento igual para as pessoas, embora estas sejam necessariamente diferentes.

Curiosamente um dos defensores do diferenciamento não me respondeu se um "trolha" que trabalha todo o dia no duro, para o filho poderer tirar um curso superior deve ser tratado de forma diferente do filho, que é "doutor".

Embora tentador para o ego, parece-me absurdo.. obviamente que a condição de ensino influencia os potenciais conhecimento, por norma... mas isso não significa que a outra pessoa seja menor.

Um agricultor pode não saber ler, é verdade, mas ponham-nos lá a plantar batatas os dois a ver quem tem o domínio dessa matéria...

Sempre me fez, e fará confusão a diferenciação das pessoas pelo grau académico. Em casa sempre ouvi, e muito bem, que o estudo não é um mérito, é o meu dever.. até porque é o meu único trabalho (neste caso... era :-P).

Infelizmente em Portugal, e talvez noutros países onde os cursos superiores há alguns anos eram ainda raros, valoriza-se muito o grau académico... é o Doutor António, ou o Engenheiro Joaquim... e as vezes nem o grau tem... mas pronto, assumindo que têm, muito bem, e dai?

Porque é que "Senhor António" ou "Senhor Joaquim" não é adequado?
Tem menos respeito? Tira-lhes um pedaço? São menos médicos, juízes, ou engenheiros?

Sinceramente esta é uma questão que me arrepia os cabelos... parece-me tão straightforward... somos diferentes, mas somos todos pessoas, humanos, para que ter que andar sempre a demonstrar os "galões"?

Temos necessidade de no dia-à-dia como nas forças militar demonstrar o grau.. neste caso não temos o grau à vista no ombro, então temos que puxar por ele no inicio do nome?

Pessoalmente nunca quis nem quero, que quando seja engenheiro me tratem assim... e se tratarem, que seja pelo menos no contexto certo, o meu trabalho, o sitio onde sou engenheiro.

Não quando estou em casa, no hipermercado ou na rua... na rua não estou a programar, na rua não estou a desenvolver software, na rua estou a ser o Pedro, ou se quiserem Sr. Pedro no máximo, não estou de qualquer maneira a exercer o contexto académico ou profissional.... (e sinceramente se me tratarem por tu, prefiro ainda mais).

Continuo a ser engenheiro em qualquer um daqueles sítios... mas para que puxar logo pelo grau...porque ter que bater na minha vertente académica/profissional... apenas isso não define nem deve define nada sobre mim...

Espero um dia ver esta mentalidade enraizada mudar... poderíamos começar pelas notícias... se cá se lê tanto sobre o "Engenheiro Sócrates", neste artigo (que é um artigo económico que achei interessante), mas voltando ao assunto, o que se lerá?

Olha... Mr. Sócrates!

Quem diria...

... se eu fosse a ele era já um processo em cima, senhor?! Se isto se admite, ENGENHEIRO, ENGENHEIRO Sócrates...



Ps: Um bom e famoso exemplo da destruição instantânea de preconceitos que não me deixa de tocar por muito que o veja...

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