domingo, maio 05, 2013

Teorias da Animação - O Director

Tal como um treinador pode ser um mau jogador de futebol, um director pode também não saber cantar, tocar viola…mas se conseguir pôr as pessoas que o sabem a fazê-lo, está a ser um bom director. O director é um "potenciador" de talentos.



Ser líder

Viver num campo é viver em ditadura. É uma ditadura controlada, porque o líder não se auto-proclama, mas é escolhido, mas é uma ditadura. Isto deve estar presente em toda a direcção, porque como brincávamos na Direcção Nacional, "quem manda aqui somos nós".

Quando fui a primeira vez escolhido por um director para ser seu adjunto, o "second-in-command", eu vinha duma postura de "palhaço". Geralmente não me viam como o tipo responsável, ou o líder, mas como o tipo que fazia as pessoas rir. Eu próprio tinha algumas dúvidas de como seria eu como líder. Não era o líder natural, aquele que, onde está tenta mandar. Era um líder esforçado por o ser apenas.
Muitos passam por esta iniciação dificil, de terem sido gente discreta, ou gente que nunca está à frente, para passarem a dar a cara. É um momento de dúvida, duro para quem passa por ele, pelas incertezas da sua própria capacidade, mas na minha opinião, uma fonte de muito proveito. Geralmente os líderes, que não são desde cedo considerados como tal, tendem a ser líderes que ouvem mais as pessoas, que se põem mais do outro lado para perceber os argumentos e que são menos agressivos na maneira como divulgam a decisão (porque as vezes o difícil não é decidir, mas fazer com que a equipa concorde com a decisão) esse é que é um marco da liderança.

Para todos os tipos de líderes, o que tenho aprendido é que cada pessoa é uma pessoa: umas gostam de dar a sua opinião e que as oiçamos; outras gostam que lhes digam o que é para fazer para ser mais simples; mas todas gostam de ouvir o porquê de uma decisão e todas gostam de se sentir valorizadas.
Um bom líder é uma especie de irmão mais velho, na verdadeira ascensão da palavra. No sentido que está preocupado com cada pessoa como um amigo, e respeita cada pessoa, mas antes demais conhece cada um o suficiente para saber os limites de cada um, o que pode e não pode pedir a cada um.  - Ser líder

Para saber isto há alguns truques: o primeiro é realmente criar uma relação de proximidade com cada membro da equipa, até porque isso os tornará amigos e criará de facto amizades para a vida. Cada uma das pessoas que vão gerir não são simples autómatos que vos têm de obedecer! Caso consigam essa ligação com cada uma das pessoas vão ver que isso terá, como consequência, torna-los membros leais da equipa. 
A outra coisa para o conseguir é um jogo no fim-de-semana de preparação, de perguntas e respostas tiradas de um saco como "O que não toleras num campo de férias?", "Qual é a coisa que mais gostas num campo de férias?", "Se estiveres cansado como se manifesta esse cansaço?"... - Ser líder é ser irmão


Preparação

Notei em cada líder que havia uma característica que já existia nele mas que é realçada pela liderança. Nuns pode ser uma carisma natural, noutros a piada... em mim foi a organização. 

A primeira vez que fui director,  (no ano seguinte a ter sido adjunto também pela primeira vez), foi em condições algo conturbadas. Não era de todo um líder unânime (fora da equipa do meu campo), havia até algum clima de atrito entre o meu campo e outro. 

Isto conjugou-se com a minha dúvida se estaria à altura, e com a falta de preparação que tinha vivido em campos anteriores e criou-me uma vontade, (também por receio de falhar), de preparar tudo ao pormenor, para não existir a mais ínfima margem de erro, do que estava dentro do meu controlo.

Estas condições fortuitas geraram o que eu viria a considerar a minha maior vantagem como líder... (falarei mais à frente)

Ao chegar a cada reunião de preparação os animadores recebiam o manual de funções, resumido tendo apenas a sua parte correspondente e tinham um momento de quebrar gelo, onde nos conhecíamos e actividades para nos divertimos (e criávamos equipa). Usávamos para nos conhecermos perguntas como "O que gostei nos campos que animei? O que não gostei? O que têm que ter cuidado em mim no campo? O que consigo trazer de melhor? O que me podem oferecer/fazer quando tiver num dia mais dificil para ajudar? O que é um bom campo para mim?"- Conhecer e criar ligações

No dia seguinte começávamos de manha cedo com a elaboração do Imaginarium. Como tudo na preparação de campo, todas as decisões são do grupo. E porque? Toda a gente participar na decisão e senti-la como sua fará com que sintam o campo como deles e não como uma coisa imposta. Por consequência irão esforçar-se mais por ele.
Em geral, a maioria resolverá por si mesma as indecisões. Mas a direcção poderá conduzir essa maioria à decisão que considera mais correcta pelas intervenções (geralmente no final das intervenções dos restantes) com uma especie de resumo - vantagens e desvantagens de cada opção - e qual considera então que foi a opção que sobressaiu. Geralmente após esta intervenção de um ou vários membros da direcção nem será preciso dizer "é assim" porque se os argumentos forem bons, a maioria irá aceita-los e orientar-se nesse sentido - Orientar o grupo

Existem momentos onde de facto isto não funciona.

Vivi um desses momentos complicados em 2010 na preparação do campo Walkabout.
Estava em cima da mesa uma caminhada de 2 dias, onde os participantes (Lambretas) teriam que arranjar sitio para dormir.
Começamos pelo básico, listamos as coisas positivas e as coisas negativas, e havia imenso a pender para cada lado. Tanto pela positiva já se tinha feito isto em Formação, como era bom quebrar as desconfianças e pedir tanto comida, água como abrigo a desconhecidos... como pela negativa alguns deles seriam menores de  idade e podiam dormir em algum sítio onde a pessoa lhes pudesse causar algum mal.

A equipa ficou dividida a meio, nem a direcção escapou com metade a apoiar o sim e a outra metade o não.
Percebemos enquanto direcção que era vital resolver isto, duma forma definitiva e não conflituosa nem imposta.. porque os ânimos já estavam a ficar mais intensos.. então sugeri ao director (eu era adjunto) para fazermos algo que tinha ouvido falar numa formação em brainstorms.. algo que não fazia a mínima ideia de qual ia ser o resultado: sugeri que cada um de nós defendesse a opinião contrária.
Ao inicio houve alguma resistência e embora houvesse bastante incredibilidade que aquilo ia funcionar... tentar não custa.
Após uma pausa cada um defendeu com unhas e dentes a opinião contrária ao que acreditávamos  Nesse exercício fomos obrigados a ver o outro lado. Quando terminamos, fizemos uma ronda a dizer o "sim" ou "não" finais... e aqui veio a parte incrível: A ronda estava a terminar com toda a gente a dizer "sim" , até que aparece UM único NÃO. Imediatamente a equipa decide NÃO! Ou todos acreditávamos e fazíamos  ou ninguém fazia. Eramos equipa!
Foi uma dos momentos mais fortes e inacreditáveis que já vivi num campo. A verdade é que nenhum de nós sabia se ia resultar.. mas experimentamos. - Arriscar

Considero o Imaginarium a base do plano de campo e aqui um aparte: nem toda a gente considera ter imaginarium como essencial/base, eu considero. O motivo é simples, no primeiro campo de que fiz, Graal II, onde tivemos um imaginarium com roupas de época, uma espada (verdadeira!!!) mandada fazer de propósito e todo um outro conjunto de coisas, vi o quanto isso me ajudou a ficar fascinado pela história e mergulhar mais profundamente no campo. Criou uma espécie de misticismo, com o fim do campo a ser o rei Artur a ordenar-nos cavaleiros, comigo ajoelhado e uma espada real a tocar nos meus dois ombros... espectacular!
Não tenho muito mais argumentos sem ser este aumento da profundidade do mergulho na vivência surrealista de um campo (isto é se for vivido com seriedade! Os momentos de imaginarium, para mim, são sérios para causarem o propósito que ambiciono).

Imaginarium feito... é hora de definir o plano de campo. Geralmente um quadro branco ou folha de papel de cenário, (que já foi usado no Imaginarium), eram o objecto perfeito, para desenhar uma tabela, já com um esboço do que irá ser o plano final.
Definir blocos onde irão aparecer o "Jogo 1", o BDS, a Missa, a Caminhada... etc. O que irá ser o jogo ou o BDS, será definido por quem ficar responsável por ele. Ao mesmo tempo, definir os animadores responsáveis pelas tarefas, ginástica, equipa de levar a loiça, do pente fino... para fazer com que cada animador não esteja responsável por várias coisas ao mesmo tempo, nem todas no mesmo dia.
O plano não precisa de ficar na sua versão final, a direcção deverá vê lo com mais calma depois da reunião para perceber se tudo está de facto bem e fazer alterações (mínimas geralmente) caso seja necessário - O plano

Como decidir o que é melhor fazer? Eu tenho algumas perguntas fáceis que ajudam:

- Qual é o motivo para fazermos isto? Qual o propósito/finalidade?
- Isto é para divertir os miúdos ou os animadores?

Geralmente estas duas perguntas desarmam as ideias menos lógicas e viáveis. Atenção que um motivo válido tanto pode ser os miúdos perderem o medo do escuro - motivação inicial da noite de terror que perdemos com o passar dos anos, passando a ser uma diversão para os animadores - como eles aprenderem a montar uma tenda, ou a simples diversão deles (um jogo qualquer na água, futebol...).

No próprio decorrer do campo é geralmente fácil distinguir entre uma atitude boa e menos positiva para o campo com estas perguntas base, um exemplo, fazer batota num jogo é bom para o campo?
Pode ser boa, se o jogo for chato e a batota for para os miúdos se divertirem mais, ou para aprenderem que ganhar não é o mais importante... mas nem sempre é isso que acontece, muitas vezes os animadores fazem batota para serem eles a ganhar (só porque sim) ou ignoram as regras do jogo só para se divertirem às custas dos miúdos... a mesma atitude - fazer batota - pode ser claramente positiva, ou claramente negativa e contrária à vertente educativa até!

Estas perguntas servem para tudo. Em relação ao álcool nos campos por exemplo. Podemos perguntar-nos qual é a motivação?
Se for uma noite que tenhamos mais tempo livre reforçar o espírito de equipa (sem de todo nos alcoolizarmos ou perto disso!) enquanto temos uma reunião de convívio com uma chouriça e um copo/gole de favaios, é um motivo que pode ser aceitável. Se for divertimo-nos como animadores, apanharmos uma bebedeira até porque no dia seguinte conseguimos estar "na boa na mesma"... parece-me altamente duvidoso. Uma sugestão que deixo aqui em relação ao álcool é ser a direcção a decidir qual a noite em que há uma garrafa de favaios conjugado com se há tempo depois da avaliação e preparação para isso. Parece-me pouco útil haver álcool  ou chouriça ou o que quer que seja todas as noite, isto deve ser considerado como um mimo, geralmente da mamã nunca um direito ou uma revindicação.

O próprio tabaco deve ser gerido com cuidado, porque pedimos aos participantes para fumar apenas em algumas alturas - apenas quando lhe indicamos que podem - portanto para participantes e animadores deve haver o cuidado e não usar o tabaco como escape para não lavar a loiça, ou montar a tendar ou o que quer que deva ser feito e saciar a necessidade quando há tempo... é uma necessidade não a prioridade.
Um texto do P. Vasco resume isto na perfeição:

"O animador é o que se sente enviado e se sabe instrumento ao serviço de qualquer coisa bem maior do que si próprio. Por isso, no acampamento, não importam tanto as suas capacidades e qualidades (nem os medos ou receios), mas apenas a sua abertura àquilo que lhe será pedido pelo bem de todos. Quem está ao serviço, esquece-se de si mesmo e dá-se (todo) àquilo que faz. O seu trabalho é a sua vida. E ser animador, antes de mais, é um privilégio que é honrado com a entrega e com o serviço incondicionais ao acampamento. Mas vê-se muito pelos acampamentos de hoje, que ser animador é um título que se exibe e que dá direitos (direito a descansar até mais tarde e fazer disso um privilégio diário, direito a sair do acampamento para ir arejar, direito a usar o telemóvel quando apetece, direito a beber cervejas, coca-colas, aguardentes, vodkas,…). Se o animador não está totalmente disponível é um peso que bloqueia em vez de um instrumento que contribui para andar em frente. "  - Como decidir


Aqui entra o que penso que foi a minha maior vantagem enquanto líder: A organização.

Logo que chegavam a casa, ou pouco depois, os animadores tinham no email o Imaginarium na sua versão inicial, o plano, as deadlines que tinham para enviarem as fichas de jogo completas e tudo o que precisavam para o campo continuar a ser preparado logo ali.
Por outro lado, as deadlines que pedia (reparem como pedir é diferente de mandar), eram para o campo estar preparado no inicio de Junho normalmente. E porque? Simples, Junho e Julho as pessoas estão com exames, e não posso pedir-lhe realisticamente para fazerem coisas para os campos quando precisam de estudar. Portanto, ao ter 90% preparado antes, dava descanso mental a quem tinha coisas para preparar e assegurava que o grosso não era preparado em cima do joelho.
Por experiência e preferência pessoal evito sempre a preparação em cima. Não dá tempo para se pensar no que se está a fazer com outros olhos, nem para surgirem ideias que aparecem com o passar do tempo, "e se afinal fizesse o jogo assim?".
Na realidade, continuamos com margem para improvisar se quisermos ou for necessário, mas temos sempre o plano A se não for.

Com o surgimento dos Google Docs, os contactos de cada um, o plano, imaginarium, tarefas, nomes das personagens, fichas, etc, estavam sempre actualizadas num documento online que todos tinham acesso de leitura (e a direcção de escrita).
Esta organização metódica e compulsiva-obsessiva tinha 2 grandes vantagens:

- A primeira as coisas de facto estavam organizadas e preparadas.

- A segunda é que me exigia tempo e esforço, mais do que a qualquer animador antes do campo, e isso dava-me moral para também pedir para eles se dedicarem. Para mim um líder só o é se der o exemplo, e no trabalho pré campo eu levava esta máxima ao extremo. Ao chegarem ao campo cada animador tinha uma pasta, com as fichas de jogo que me enviou, uma cópia do plano de campo para si e outras coisas que pudesse achar útil para aquele animador em particular. Geralmente a resposta a esta organização era a tentativa e execução em excelência por parte deles. - A organização

Todas as coisas definidas atrás criavam uma equipa que respeita a sua direcção e se revê nela.

A isto se acrescentava em cada fase a avaliação, (geralmente dava pontos para as pessoas não divagarem), que é algo para que ainda estamos pouco educados para aceitar verdadeiramente, especialmente para serem avaliados e avaliadores negativamente e perceberem que não estão atacar nem ser atacamos mas é ajuda para serem melhores:
Não é "tu és mau", mas sim "tu podias ser espectacular se fizesses isto assim".

Um privilégio que guardava sempre para a minha direcção e para mim é sermos os últimos a avaliar. Isto permite não influenciar as avaliações dos restantes animadores e ter no fim, novamente, o resumo e avaliação final que no fundo fecha.

No campo pelo cansaço as pessoas tem avaliações mais longas e que divagam mais, portanto apenas 2 animadores (voluntários) avaliavam cada dia, finalizados sempre pela direcção.
Esses 2 voluntários, não podiam avaliar outro dia sem antes todos os animadores terem avaliado pelo menos um, o que fazia com que cada pessoa só escolhesse avaliasse quando tinha algo mesmo para dizer.

No fim do campo a avaliação final, que não é "uma mão a passar pelo pêlo" para dizer que fomos todos muito bons, mas uma reflexão séria do que podíamos ter feito de melhor e o que fizemos realmente bem e estamos de parabéns, é essencial... sem avaliar não melhoramos para o futuro, ser presencialmente ajuda a que possamos conversar em vez de ler um texto "frio" de outras pessoas  - A avaliação


O campo

Durante o campo ajuda imenso ter a noção de como é estar em cada uma das posições do acampamento, para melhor saber gerir cada animador. Isto advém, em grande parte, da experiência de lá ter passado, pelo menos por algumas das funções. Se não se passou por lá é importante, pelo menos, tentar obter feedback de quem passou, para perceber porque é que as vezes os animadores de equipa estão cansados dos miúdos, ou os livres têm vontade de estar mais com eles - Viver cada posição

Outra das coisas que o director deve ter cuidado e na diferenciação dos animadores. Todos devem ser iguais, não se deve incentivar a "classificação" de animadores, seja por terem feito muitos ou poucos campos, por me identificar mais com a maneira de agir de um ou outro, ou pelo exemplo mais clássico... serem de formação. Animador é animador, ponto final. - Evitar o animador não tão animador 

Ser director é cansativo das primeiras vezes. Tem-se a sensação de que está tudo a mexer ao mesmo tempo e temos que absorver tudo. Toda a gente nos pergunta o que fazer e quando fazer. Para além disso temos que estar atentos aos horários (muito importante!!!)... e apitar mesmo quando aquela sorna de conversa está a saber mesmo bem, ou já todos foram tomar banho e nós não tivemos tempo.

Não há soluções mágicas, com o tempo vamos aprendendo a estar mais relaxados, a deixar de nos guiar pelos nossos apetites e passar a gerir pelas necessidades dos campos no fundo a viver o campo de outra forma.

Um director tem duas caras: o director de animadores e o director dos participantes.
Se conseguimos criar equipa (e tivemos alguma sorte também), fomos na preparação bons directores de animadores e eles estão agora numa espécie de piloto automático em que sabem o que fazer e quando fazer, estão em perfeita sintonia connosco e a nossa maneira de gerir e portanto temos mais tempo para ser directores dos participantes e de estar com eles.
Caso os animadores tenham necessidades, seja por insegurança, problemas em casa que se reflectem no campo, ou outra coisa qualquer, temos que cuidar deles! São eles, especialmente os animadores de equipa, que empurram o campo para a frente. Este é um grande trabalho que a mamã pode ter.

Sendo apologista de que devemos tentar gerar consenso, como líderes, há momentos em que isto poderá não ser possível. Em 2009 enquanto director do campo de formação tive uma destas situações limite, em que, infelizmente, durante uma caminhada de pobreza (por equipas), uma das equipas encontrou, ao passar por uma barragem um corpo de uma pessoa falecida.
Ao informarem-nos por telemóvel da situação (a polícia e outros meios já tinham sido chamados), houve uma grande divisão da equipa de animação sobre se a caminhada devia continuar ou se deviam ser recolhidas todas as equipas por carrinha. Era uma situação tremendamente inesperada e complicada porque não conseguiamos saber ao certo o efeito psicológico que teria e não tinha portanto uma resposta simples.
A equipa de animação quando recebeu a notícia estava toda no local de campo, de imediato saíram 2 pessoas (a mamã e um livre) ao encontro dessa equipa.
Percebi que a decisão teria que ser rápida e sem hesitações, portanto, informei todos os animadores que a mamã iria dar-me a sua ponderação sobre qual a melhor opção após estar com os animadores em formação no local, e esta iria ser seguida sem espaço para discussão. Foi um dos raros eventos que tomei uma decisão puramente ditatorial sem nenhum espaço para alguém questionar, mas que enquanto director achei que era essencial tomar - (A decisão foi continuar com a caminhada para não vincar ainda mais o que tinha acontecido e também porque a maioria das equipas não tinha tido aquela experiência).
Há que ter sempre a noção que em última circunstância temos a responsabilidade sobre o campo e portanto sobre cada uma das pessoas envolvidas. Isso poderá criar momentos em que tomaremos decisões complicadas, mas para o bem de todos.- Situações limite

Tendo coisas positivas e outras mais complicadas, realço que ser director é magnifico! Vive-se o campo de uma forma totalmente diferente, sente-se o maravilhoso que é pelos frutos, e nem sempre tanto pela vivência do campo stressada, com imprevistos a toda a hora e preocupação nossa. Mas afinal de contas os frutos são o motivo pelo qual trabalhamos a árvore.

As preocupações e felicidade devem sempre ser partilhadas com a nossa direcção, um director é a cara, mas os braços e pernas dele são o seu adjunto, mamã e capelão. Sem eles a funcionarem a 100%, o director não irá conseguir fazer o campo que todos sonharam...

Ser director para mim reflecte-se no seu auge numa altura, no fim, quando já todos os participantes foram embora e pensamos "CAPUTCHA eu ajudei este campo a acontecer... E QUE CAMPO!", o sentimento não podia ser melhor - O senhor do apito

Ser director é mesmo educar para servir!

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